Brasileiras, nunca cansadas de serem brasileiras

Contra um turbilhão de emoções infundadas na realidade, incompetência e um projeto de ignorância ao futebol – independente de gênero – o futebol feminino resiste aos ignorantes, convictos ou por osmose, e aos que (não) trabalham pelo bem do esporte brasileiro, fingindo que o seu potencial comercial não está em suas caras.

Os ignorantes determinados são rígidos como pedra, pouco afeitos de compreensões sociais e históricas razoáveis e podem causar raiva aos desavisados. Típicos fãs da desonestidade e do debate pautado pela pífia cognição, merecem pouco tempo investido dos que apoiam o futebol feminino no Brasil, por sua esporádica transformação.

O preconceito e desinformação que se infiltram nos ignorantes espectadores está longe de ser resolvido, por diversos fatores. Uma imprensa que trata a modalidade como uma pedra no sapato ou uma muleta em tempos convenientes, o apoio ridículo da CBF – entidade política – e as dificuldades históricas e legais impostas à prática são nuances escancaradas, já que não veem perspectiva de se tornarem obsoletas.

Na chefia do futebol brasileiro, se gasta mais dinheiro com regalias do que com o teórico objetivo de uma entidade privada: lucro. Por vezes, a primeira divisão feminina é apresentada como uma terceira do masculino. Transmissões a cargo dos voluntariosos, enfeitáveis arquibancadas – em grandes clubes – divulgação e trabalho às traças são a síntese do que se vê no campeonato nacional.

Indo de encontro a uma sociedade que o proibiu por quarenta anos, o futebol feminino no Brasil é vigoroso, histórico, possui alma de brasileiro. Entregou ao mundo a melhor de todos os tempos. Briga e tira de onde não tem forças uma medalha de prata em solo francês. De qualquer forma, olhe para seu interior e veja o caos, deplorável.

A nojenta estrutura física e social da sede de uma Copa do Mundo que se aproxima passa, com grande destaque, pela mente de indivíduos que comandam o futebol brasileiro por razões infundadas em qualquer motivação esportiva; carisma ou herança não trazem consigo o olhar sociológico e comercial implantado nos centros dos mais importantes campeonatos, que tendem a desfilar com gala sobre o que é feito no Brasil. Tais chefes compartilham uma letargia espantosa com a industrialização brasileira.

Formadas e possivelmente ainda envoltas pelo desfavorável contexto, as brasileiras fincam uma bandeira inédita em solo ianque, derrotam as imponentes estadunidenses, com sua estrutura e toda a imposição da seleção mais bem-sucedida da história. Vitória de paciência e merecimento, emocionante, mesmo madrugada adentro. De forma brasileira, em um sentido nostálgico, cada triunfo é a resiliência de uma sociedade que pode se provar diante do mundo, em pouco mais de dois anos. Todos representados nesse Estados Unidos 1, Brasil 2.

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